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Monthly Archives: novembro 2014

Cozinhando em várias línguas

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Renomada escola de gastronomia Le Cordon Bleu possui parceria com a CI Intercâmbios. Crédito: Divulgação/ Facebook (Le Cordon Bleu)

Inspirados por reality shows, programas de chefs e pela onda gastronômica que toma conta do mundo, os cursos de culinária não param de se multiplicar. De grandes cidades a pequenas capitais do Nordeste, a procura por cursos de cozinha tem mobilizado homens e mulheres de todas as idades. Além das ofertas nacionais, a moda entre os viajantes é aproveitar a estadia no exterior para conhecer técnicas culinárias em cursos de curta duração.

A bibliotecária Simone Prado Casali, de 47 anos, que mora em Aracaju (SE), ganhou de presente do filho um curso de gastronomia na unidade espanhola de Le Cordon Bleu, com duração de 11 dias. Adorou a experiência:  “Fui num grupo de quatro pessoas com idades e interesses distintos. Achei muito bacana conhecer uma cultura diferente e, ao mesmo tempo, aprender a fazer comidas novas”.

Segundo ela, não era exigido nenhum conhecimento prévio para fazer o curso “Cocina Española: tapas”, e os professores foram muito receptivos e pacientes com os que tinham menos desenvoltura no fogão. “A experiência foi tão marcante que estou pensando na possibilidade de me matricular numa faculdade de gastronomia”, diz.

Simone viajou por um pacote oferecido pela CI – Central de Intercâmbio, que tem mais de 60 lojas no país. A gerente de produto da área de cursos, Luiza Vianna, diz que a procura por esse tipo de experiência gastronômica no exterior vem crescendo há mais de dez anos, com maior intensidade de dois ou três anos para cá. Além das aulas na Le Cordon Bleu, referência internacional no aprendizado culinário, a CI está oferecendo cursos combinados que permitem aprender idioma e cozinha ao mesmo tempo. Para isso, viabiliza pacotes em várias cidades. Um deles, em Biarritz, na França, dura duas semanas e prevê acomodação em casa de família com quarto individual e custa 1.368 euros. Há outros destinos como Nice, na Riviera francesa, Roma e Florença, na Itália.

Para turistas que não querem fazer pacotes, existem cursos avulsos e rápidos em várias capitais europeias. Em Londres, por exemplo, é possível passar uma manhã na escola de Jamie Oliver aprendendo alguma receita conhecida do apresentador. Claro que não é ele que dará a aula, mas sua grife funciona como chamariz e garante procura intensa. Fora isso, há outros cursos na capital britânica em pequenas livrarias, padarias orgânicas ou em escolas charmosas.

e5bakery

Padaria orgânica e5bakery oferece cursos destinados à fabricação de pães e outras massas. Crédito: Divulgação/e5bakery

A hotelaria também está ligada nesse fenômeno, que não atrai apenas brasileiros. O grupo Monte-Carlo SBM, com quatro hotéis de luxo em Mônaco, preparou um programa culinário para amadores que começou em outubro passado e vai até abril de 2015. As aulas serão ministradas em francês pelo chef Marcel Ravin e sua equipe, que atuam no Monte-Carlo Bay-Resort. Com temas que abarcam da confeitaria francesa à comida libanesa, as aulas são avulsas, duram até sete horas, não são restritas a hóspedes e custam de 150 a 340 euros.

Quem viaja com esse intuito pertence o mesmo estrato social que frequenta cursos gastronômicos em São Paulo. Nos nove anos em que está à frente da Madame Aubergine, a publicitária Marisa Furtado desenhou o perfil da clientela que procura sua escola. “A maioria tem entre 25 e 60 anos, é das classes A e B e considera a aula de gastronomia um programa legal. É mais uma opção de lazer como teatro, cinema, shopping e barzinhos. São pessoas que não querer ser especialistas em determinado ingrediente, tipo de cozinha ou técnica. Querem transitar dentro de suas possibilidades”, conta.

Entre os frequentadores, Marisa destaca pessoas de 50 a 60 anos, que estão descobrindo como “jogar o segundo tempo de suas vidas”. “Tenho recebido muitas mulheres dessa faixa etária. Elas vêm porque agora têm mais tempo para se dedicar aos prazeres da mesa ou porque querem conhecer pessoas com a mesma atitude e jogar conversa fora”.

“As aulas de gastronomia seriam, então, uma boa oportunidade de se dar uma merecida indulgência”.

Entre os cursos mais procurados de São Paulo estão os oferecidos pela Escola Wilma Kövesi de Cozinha, fundada há 31 anos. Localizada em Pinheiros, oferece várias opções: de um formato básico para o dia a dia, no qual é possível aprender a fritar um ovo, a aulas temáticas com chefs renomados. Betty Kövesi é quem hoje dirige a escola, aberta pela mãe, e lembra que foi ali que chefes como Emmanuel Basoleil, Alex Atala e Claude Troisgros deram suas primeiras aulas. Os preços variam de R$ 200 (aula avulsa) a 12 parcelas de R$ 1.490 (curso anual de 71 aulas).

Escola Wilma Kövesi de Cozinha

Uma das aulas ministradas na Escola Wilma Kövesi de Cozinha. Crédito: Divulgação/Facebook (Escola Wilma Kövesi de Cozinha)

Foi justamente esse curso mais avançado, o “Objetivo Chef”, com duas aulas semanais de três horas cada uma, que atraiu a economista Fátima Moreira, de 48 anos. Depois de atuar muitos anos no mercado financeiro e de trabalhar como consultora na área de energia, ela estava em busca de uma oportunidade para entrar no mundo da cozinha. Mais segura depois do aprendizado, decidiu empreender um negócio gastronômico em parceria com a colega Patrícia Teixeira, colega que conheceu durante as aulas. Juntas, vão montar o Na Sua Cozinha, um delivery de comida para eventos em casa.

“Queremos atender eventos domésticos de tamanho médio, de 8 a 30 pessoas. Entregaremos a comida pronta e a própria pessoa vai esquentar e servir e, quando for o caso, fazer alguma finalização básica seguindo um manual de instruções”, explica a economista. Neste momento, a cozinha está em fase de montagem num imóvel da Chácara Santo Antônio e a proposta inicial é que atenda clientes num raio de 15 a 20 quilômetros.

O investimento está calculado em R$ 150 mil e a operação será iniciada até o fim do ano com três funcionários. As entregas serão terceirizadas.

Se uma parte do público frequenta cursos em busca de uma capacitação profissional, como é o caso de Fátima, a maioria faz por pura diversão. Para essa categoria e com o intuito de promover a gastronomia italiana e os produtos que fabrica, a Barilla, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, abriu recentemente o Espaço Esperienza Barilla, em São Paulo. As primeiras turmas, iniciadas em setembro, lotaram. Inscrições antecipadas (feitas no site oficial da marca) já têm reservas para os meses seguintes. E o melhor: as aulas são gratuitas.

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Cozinha do Espaço Esperienza Barilla, em São Paulo. Crédito: Divulgação/Facebook (Barilla)

O Espaço Barilla é o primeiro centro da empresa na América Latina para difundir o conhecimento da massa e da cultura italiana. O aprendizado pretende abarcar tanto receitas da dieta mediterrânea como sabores do Brasil. Os grupos são pequenos, com no máximo 20 alunos, e as aulas acontecem de segunda a sexta-feira, nos períodos da manhã, tarde e noite.

Se a ideia é completar a experiência à mesa com maior conhecimento sobre bebidas, não faltam opções. Como a onda do momento são as cervejas artesanais, o Instituto da Cerveja preparou o curso “Introdução ao Universo de Cervejas Especiais”, que trata de história, estilos e harmonização. As quatro aulas, de três horas cada uma, custam R$ 360. Para participar, o requisito é apreciar boa comida e boa cerveja. Pelo visto, algo que une todos os aprendizes.

Panelas estrangeiras: 

Worshops na livraria Books for Cooks

Leiths School of Food and Wine

Padaria orgânica e5 Bakehouse

The Bertinet Kitchen cookery school

Por Maria da Paz Trefaut
Publicado em Valor Econômico

 

Paladar de grife: carne com requinte

Carlos Valenti

Após seis anos no comando do Rubaiyat de Madri, Carlos Valenti assume a rede no Brasil

O espanhol Carlos Valentí, 37 anos, está de mudança. Depois de comandar o Rubaiyat de Madri, na Espanha, por seis anos, o chef-executivo do grupo vai morar no Rio de Janeiro e organizar a nova casa no Jardim Botânico, além de responder também pelo trio de casas paulistanas e ainda pela unidade Brasília. Entre os tipos de carnes do local, Valentí elege um de seus favoritos: o steak tartar. “É perfeito para o calor da cidade. Superfresco, rápido, melhor que carne assada na churrasqueira”, disse.
O prato é sucesso na casa da Europa.
“A referência mais conhecida do steak tartar é de 1875, quando o restaurante Jules Verne em Paris o tornou uma de suas especialidades”, conta. Mas Valentí logo lembra que a história é mais antiga.
“Começou quando os guerreiros tártaros (região entre a atual Turquia e a Rússia) colocavam a carne embaixo da cela do cavalo para amaciar e temperavam só com alho. A nobreza do século 19 deu requinte e adicionou molhos especiais”, explicou.

Sucesso na Europa, steak tartar é a aposta do chef-executivo Carlos Valentí para o Rubaiayt Rio

Sucesso na Europa, steak tartar é a aposta do chef-executivo Carlos Valentí para o Rubaiayt Rio

Ingredientes (1 porção)
1 batata asterix
Steak Tartar
120g filé-mignon (ou fraldinh) picado
1 colher (chá) de pepino picado
1 colher (chá) de alcaparra picada
1 colher (chá) de emulsão de mostarda
1 colher (chá) de cebola picada
1 colher (chá) mostarda Dijon
1 colher (chá) de molho de soja
1 colher (chá) de tabasco
Sal e pimenta-do-reino a gosto
Emulsão de mostarda
1 gema de ovo
2 colheres (sopa) de azeite
Sal e pimenta-do-reino a gosto
Salada
2 folhas de alface comum
2 folhas de alface roxa

Passo 1
Corte a batata em fatias de 2 milímetros.
Coloque-as no óleo quente em 100º por quatro minutos mexendo sempre com a escumadeira. Retire e jogue em outra panela com óleo a 190ºC por dois minutos. Leve à geladeira por 30 minutos. Em seguida, coloque novamente no óleo a 190º C por mais um minuto. Essas etapas são necessárias para fazer a batata inflar

Dica do chef
“Não exagere no pepino para não mascarar o gosto da carne. É muito importante usar mostarda, azeite e carne de boa qualidade. Porque, como se trata de um prato com poucos ingredientes, o sabor de cada um dos temperos sobressai ainda mais”, ensina Carlos.

Passo 2

Corte o filé-mignon em pequenos cubos. Em um bowl, adicione a carne crua e os demais ingredientes. Misture bem. Em outro bowl junte os ingredientes da emulsão até formar uma textura espessa. Adicione as folhas verdes. Sirva o steak tartar com salada e a batata suflê.

Por Lucas Moretti
Publicado na Revista Contigo.